CARTA DE LECTORES: ¿LOS PROBLEMAS DOCTRINALES QUEDARON ESCLARECIDOS PARA ROMA?

Caro Fabian,

Salve Maria!

Primeiramente parabéns pelo trabalho realizado na Radio Cristiandad. Em segundo lugar, o motivo para estar lhe escrevendo, é para lembrar algo que Bento XVI disse, no Motu Propio Ecclesia Unitatem, veja:

«Pero las cuestiones doctrinales, obviamente, persisten y, mientras no se aclaren, la Fraternidad no tiene un estatuto canónico en la Iglesia y sus ministros no pueden ejercer legítimamente ningún ministerio».

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_letters/documents/hf_ben-xvi_apl_20090702_ecclesiae-unitatem_sp.html

Ora, se Roma já passou para a solução do problema canônico da FSSPX, é porque julga que os problemas doutrinais, foram esclarecidos.

Então, uma vez consumada a prelazia (o acordo), não restará mais esclarecimentos doutrinais a serem feitos, e ficará difícil para a FSSPX falar contra o Concílio Vaticano II. Isto sem contar que Dom Fellay parece concordar com Bento XVI, visto que, falou daqueles que consideram o Concílio uma super heresia* e minimizou os efeitos da declaração de maniquéia da liberdade religiosa**.

Por fim, o que podemos observar nisso tudo, é a mesma metodologia do Concílio** e da retirada das excomunhões, onde ficaram parecendo um «ato de benevolência do Papa», quando na realidade, elas sempre foram nulas.

Fique com Deus.

Atenciosamente,

Gederson Falcometa

* Dom Fellay aos 3 Bispos: “en la Fraternidad, se está en camino de hacer de los errores del Concilio super herejías, esto se convierte como en el mal absoluto, peor que todo de la misma manera que los liberales han dogmatizado este concilio pastoral. Los males son lo suficientemente dramáticos como para que se los exagere aún más”.

https://radiocristiandad.wordpress.com/2012/05/10/primeros-datos-de-la-carta-de-fellay-a-los-tres-obispos/

Compare-se com o discurso do então Cardeal Ratzinger, aos Bispos do Chile em 1988:

“A verdade é que o próprio Concílio não definiu nenhum dogma e conscientemente quis expressar-se em um nível muito mais modesto, meramente como Concílio pastoral; entretanto, muitos o interpretam como se ele fosse o super dogma que tira a importância de todos os demais Concílios». (Cardeal Joseph Ratzinger, Alocução aos Bispos do Chile, em 13 de Julho de 1988, in Comunhão Libertação, Cl, año IV, Nº 24, 1988, p. 56).

http://missatridentinaemportugal.blogspot.com.br/2011/01/cardeal-ratzinger-verdade-e-que-o.html

Não é o mesmo discurso, dito de forma diversa?

** Ver o texto “A condição da Igreja oposta ao Estado” do Rev. Padre Matteo Liberatore:

http://renatosalles.blogspot.com.br/2012/05/condicao-da-igreja-oposta-ao-estado.html

** Repetição dentro da FSSPX, daquilo que Dom Lefebvre viu e ouviu no Concílio: “Uma falsa definição traz a desordem. Consideremos agora a ausência de definição. Muitas vezes procuramos e pedimos a definição de “Colegialidade”. Nunca chegamos a um acordo. Muitas vezes pedimos que nos definissem “Ecumenismo”. Eles nos respondiam a mesma coisa pela boca dos Secretários das Comissões. “Nós não fazemos um Concílio Dogmático, nem procuramos definições filosóficas. É um Concílio Pastoral que se dirige ao mundo inteiro. Seria portanto inútil dar aqui definições que não seriam compreendidas”.

“Era insensato — continua Dom Lefèbvre — reunirem-se os bispos sem conseguir sequer definir os termos das questões debatidas” (Págs. 154, 156).

Mais adiante, na página 158 lemos: “Há um outro assunto que também deveria ter sido definido de maneira muito exata: as Assembléias ou Conferências Episcopais. (grifo do autor). O que é uma Assembléia Episcopal? Que representa ela? Quais são seus poderes? Qual é o objetivo de uma Conferência Episcopal? Nunca pôde alguém defini-la. O próprio Papa disse que veríamos na continuação, ou veríamos depois, na prática, como se poderiam definir e delimitar as atribuições das Conferências. E assim lançaram-se todos na prática sem saber o que era uma Conferência Episcopal, aonde chegaríamos sem sabermos para onde nos dirigíamos. Isto foi de uma gravidade extrema. Evidentemente, essas Assembléias Episcopais, quanto mais crescer sua importância e seus poderes, e seus direitos, mais esmagarão os bispos. Assim, o episcopado que é o arcabouço verdadeiro da Igreja de Nosso Senhor desaparece com o crescimento dessas Conferências”. Um testemunho precioso – Gustavo Corção – http://permanencia.org.br/drupal/node/318